Biblioteca de Produto #1: Inspired, de Marty Cagan

Biblioteca de Produto é uma série de posts sobre livros indispensáveis para quem se interessa pelo universo dos produtos digitais.

O desenvolvimento de qualquer produto de tecnologia é, por essência, marcado por dúvidas. Afinal, constantemente somos rodeados por questionamentos sobre o valor, a usabilidade e a viabilidade do que construímos.

Esse é o mote do livro “Inspired: how to create tech products that customers love”, de Marty Cagan. Nele, o autor compartilha aprendizados colhidos ao longo de 30 anos atuando no mercado de tecnologia com produtos de relevância mundial (como Ebay e Airbnb), parte desse período como Product Manager – profissional que, vale ressaltar, é o leitor-alvo desta segunda edição.

Apesar do subtítulo “Como criar produtos de tecnologia que os clientes amem” ser uma jogada editorial, basta ler alguns capítulos para concluir que “Inspired” não contém a fórmula mágica do sucesso. Pelo contrário. Terminada a leitura, fica evidente o quão complexa é a equação que sintetiza o processo de criação de produtos digitais bem-sucedidos. Ainda assim, acho válido listar as dicas que, para mim, foram os insights mais inspiradores.

  • It’s all about the product team! Então, invista na formação de times de missionários, não de mercenários.
  • Discovery é uma etapa indispensável no processo de concepção e priorização de produto. E esse processo deve ser colaborativo. Inclusive com a participação de desenvolvedores.
  • Melhor que o modelo de priorização baseado em roadmaps é aquele baseado em resultados orientados a objetivos de negócio.
  • Apaixone-se pelo problema, não pela solução.
  • Visão e estratégia de produto claras são formas valiosas de manter o alinhamento e a motivação dos times.
  • Diga aos times quais problemas precisam ser resolvidos, mas dê a eles autonomia para decidir a melhor forma de solucioná-los.
  • Ao definir um problema, relacione-o a um objetivo do negócio, defina os resultados-chave esperados, a dor do cliente atendida e o mercado ou persona alvo almejados.
  • Os objetivos dos times devem ser claros e estar diretamente relacionados aos objetivos do negócio.
  • Os aprendizados devem ser compartilhados de maneira contínua, objetiva e transparente.
  • Valide as ideias contemplando os riscos de valor (as pessoas vão querer usar o produto?), de usabilidade (as pessoas vão conseguir usá-lo?), de viabilidade (o produto é tecnicamente viável?) e de negócio (o produto está alinhado com nossos objetivos estratégicos?).
  • “Learn fast and release with confidence.”

À medida que avançamos a leitura de “Inspired”, inevitavelmente acabamos constatando nossas deficiências como profissionais e como empresa. E isso, confesso, é frustrante. No entanto, é a partir daí que o título da obra se justifica. Afinal de contas, melhor do que poder identificar os problemas (em nós, nos processos, na cultura da organização) é ser inspirado por ideias que nos ajudem a criar produtos que façam sentido para a empresa, para os times e para as pessoas que de fato o utilizam.

Também escrevi uma resenha de “Inspired” no Skoob.

Coordenador de Design no Plurall

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